
O ponto interessante neste anti-herói é justamente que ele não era intencionalmente mau. Desejava apenas copiar o Super-Homem, possuindo um senso invertido de valores, onde salvar era igual a matar, por exemplo.
Nessa sequencia de valores distorcidos e ações frustradas, nosso personagem foi se transformando efetivamente num vilão, excluído da sociedade. Até que em certo momento ele se muda para o Mundo Bizarro, um planeta povoado com clones de si mesmo, onde sua lógica era correta.
Em alguns momentos, sentimos que estamos em meio ao próprio Mundo Bizarro, cercados pelos tais clones, sendo uma ilha de sanidade em meio aos seus valores. Mas não seria assim que o próprio Bizarro se sentia em nosso meio?
Muitas vezes insistimos em nos colocar como vítimas, em armar nossos mecanismos de defesa, em justificar nossos atos, sem ao menos questionar se não somos nós os Bizarros.
Vivemos em um momento onde não esperamos coisas boas de nossos pares, onde temos a certeza de que o outro irá falhar conosco, de que não seremos bons o bastante. E nos tornamos clones do Bizarro.
Porém, se esse processo seguir seu curso, em algum momento nós teremos transformado a própria Terra no Mundo Bizarro das histórias em quadrinhos.
É preciso parar, respirar fundo e tomar a decisão mais difícil... a decisão do não-conflito, da não-defensiva, da não-acusação.
E são poucas as pessoas que ainda não se tornaram efetivamente bizarras e que conseguem dizer sinceramente "Não quero saber de quem é a culpa. Não quero saber porque aconteceu. Só quero saber o que eu posso fazer para corrigir isso". Essas pessoas são raras e têm um valor absurdo.
Aiai... eu e minhas bizarrices.
