quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Mundo Bizarro (eu e meu problema com o Super Homem)

Bizarro é um personagem dos quadrinhos da DC Comics, criado para representar o contraponto do Super Homem.


O ponto interessante neste anti-herói é justamente que ele não era intencionalmente mau. Desejava apenas copiar o Super-Homem, possuindo um senso invertido de valores, onde salvar era igual a matar, por exemplo.

Nessa sequencia de valores distorcidos e ações frustradas, nosso personagem foi se transformando efetivamente num vilão, excluído da sociedade. Até que em certo momento ele se muda para o Mundo Bizarro, um planeta povoado com clones de si mesmo, onde sua lógica era correta.

Em alguns momentos, sentimos que estamos em meio ao próprio Mundo Bizarro, cercados pelos tais clones, sendo uma ilha de sanidade em meio aos seus valores. Mas não seria assim que o próprio Bizarro se sentia em nosso meio?

Muitas vezes insistimos em nos colocar como vítimas, em armar nossos mecanismos de defesa, em justificar nossos atos, sem ao menos questionar se não somos nós os Bizarros.

Vivemos em um momento onde não esperamos coisas boas de nossos pares, onde temos a certeza de que o outro irá falhar conosco, de que não seremos bons o bastante. E nos tornamos clones do Bizarro.
Porém, se esse processo seguir seu curso, em algum momento nós teremos transformado a própria Terra no Mundo Bizarro das histórias em quadrinhos.

É preciso parar, respirar fundo e tomar a decisão mais difícil... a decisão do não-conflito, da não-defensiva, da não-acusação.
E são poucas as pessoas que ainda não se tornaram efetivamente bizarras e que conseguem dizer sinceramente "Não quero saber de quem é a culpa. Não quero saber porque aconteceu. Só quero saber o que eu posso fazer para corrigir isso". Essas pessoas são raras e têm um valor absurdo.

Aiai... eu e minhas bizarrices.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Simples e (in)esperado

Acordou pulando, tentando parar o alarme do celular. Sentou na cama com o quarto ainda escuro. Pensou. Bocejou. Bocejou de novo e pensou um pouco mais.

Saiu da cama, olhou para a mesa do café e pegou um pacote de bolachas. Entre os bocejos e pensamentos matinais, decidiu comer quando já estivesse no trabalho.

Um banho rápido. Foi todo o intervalo entre uma coisa e outra. Banho rápido, daqueles que não costuma tomar. Sentia falta da demora, do conforto, da água quente. Estava sozinho em casa e no compasso da água caindo, uma idéia fluiu.

Saiu do banheiro, se vestiu apressado e foi encontrá-la. Um beijo, não daqueles de cinema, mas daqueles da vida real, com gosto de café ou pasta de dente, era tudo o que queria.

Correu. O carro passava veloz pelas ruas. Temia que não houvesse tempo, mas houve. Beijou... foi beijado... beijaram-se. Beijaram e sorriram, as mãos se encontraram.

Não entrou, foi embora. O trabalho e a rotina o aguardavam. Deixou para trás um sorriso e um olhar doce.

Você tem acertado em tudo.

Ah... se ela soubesse o quanto ele queria ter encontrado uma trufa as oito da manhã... faltou isso.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Coisas que eu gostaria de ter escrito - Parte 3

Minha namorada
Vinicius de Moraes / Carlos Lyra

Se você quer ser minha namorada
Ah, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser

Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber por quê

Porém, se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer

Você tem que vir comigo em meu caminho
E talvez o meu caminho seja triste pra você
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos
Os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A cena repete, a cena se inverte...

Existe um tipo estranho de ordem. Um padrão que se repete em nossas vidas...

De tempos em tempos você enfrenta situações semelhantes, seja pelo tipo de escolha que deve fazer, pelas coisas que sente ao passar por aquilo ou pelas simples variáveis envolvidas.

"A vida vem em ondas como o mar, num indo e vindo infinito", já cantava o Lulu Santos.

Pensando nisso, lembrei do fim da trilogia Matrix, quando o Neo descobre que de tempos em tempos a matrix é reiniciada e uma mesma sequencia de eventos ocorre, levando periodicamente ao "apocalipse" e então ao reinicio do ciclo.

É estranho pensar assim. Seriamos escravos da nossa personalidade, expostos a situações onde um padrão obscuro define previamente o fim da história?

Onde e quando esse padrão teria sido definido? O que formataria então o padrão de uma pessoa, o meio e a raça? Em que momento o meio deixa de influenciar e passa a ser influenciado pelo tal "padrão"?

Acima de tudo... se o Neo teve a escolha de quebrar o ciclo e fazer algo diferente, nós também devemos ter. Talvez essa seja parte da moral da história... mas até que ponto isso é verdade e qual o preço a pagar por isso?

Sensação de déjà vu... hora de ir para a cama.

domingo, 12 de julho de 2009

Um litro de leite

Ultimamente tenho tentado terminar meu TCC da pós ("começar" seria mais realista, mas "terminar" me ajuda a dormir a noite...) e pouco tenho passado por aqui.

Mas ainda assim, não abandonei o blog. Pelo contrário, vou aproveitar a correria para prosseguir com a série "coisas que eu gostaria de ter escrito", deixando aqui um texto interessante da Ana Lúcia Araújo, publicado originalmente no Palavra de Homem.

Esse texto me fez pensar um bocado... francamente, tem horas em que os homens também precisam de uma mulher que traga um litro de leite... rs...


Eu só queria um litro de leite
Ana Lúcia Araújo

Mês passado, li em várias revistas femininas e nos jornais da cidade teorias interessantes sobre o que querem as mulheres. Linhas e mais linhas para tentar explicar afinal de contas por que somos tão insatisfeitas. Em alguns momentos tenho a sensação que somos o Mal do Século, ou pior: o Mal de TODOS os Séculos.

Os chavões vão nessa linha: as mulheres são independentes financeiramente, fizeram dos homens uns bananas, mas ainda querem que eles abram a porta do carro. É verdade? É. É mentira? É também.

Eu não sei o que as mulheres querem, até porque é uma questão pessoal. Mas o que eu percebo, entre minhas amigas, minha mãe, amigas da minha mãe, minhas primas mais novas, amigas das minhas primas mais novas é que nós só queremos um litro de leite.

Entendeu? Então explico. Outro dia um amigo me contou uma história bobinha, mas que me deu a luz para esse texto. Durante uma conversa normal do dia-a-dia com a namorada, por telefone, ela lamentou: "Estou trabalhando tanto que nem tive tempo para comprar leite". Meu amigo (que ganhou muitos pontos comigo por isso) não pensou duas vezes. Passou na padaria, comprou uma caixinha de leite, colocou num envelope do trabalho e deixou na portaria do prédio da namorada. Simples assim.

Não precisamos de diamantes, de mansões ou viagens ao redor do mundo. Um litro de leite (na hora certa) tá bom demais.